Notícias 2017

Sala temática do 10º Seminário Femipa discute como o benchmarking pode ajudar a rotina das instituições filantrópicas

Com a crise enfrentada pelas instituições de Saúde filantrópicas, boas práticas são sempre bem-vindas para ajudar os gestores a administrarem a entidade da melhor forma possível. Pensando nisso, a organização do Seminário Femipa idealizou as salas temáticas, para estimular a troca de experiências e exemplos de sucesso. Neste ano, uma das salas do 10º Seminário Femipa está discutindo “Gestão hospitalar” e faz parte da programação do Parlons Santé, evento realizado pela Câmara França Brasil e a FAE Business School, em parceria com a Femipa. A primeira palestra ficou por conta de Mauricio Almeida Dias Pereira, presidente da Federação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas do Estado da Bahia (FESFBA) e vice-presidente da CMB, que falou sobre “Programas de benchmarking: ampliando os horizontes dos gestores da saúde e suas instituições”.

De acordo com Pereira, benchmarking é “um processo de comparação de produtos, processos, serviços e práticas exitosas, que funcionam tanto como instrumento de contribuição de ideia, como também instrumento de gestão. A prática proporciona informações periódicas e estratégicas para melhorar desempenho financeiro, operacional, de recursos humanos, entre outros, e auxilia o gestor na tomada de decisões”.

Atualmente, existem quatro tipos de benchmarking: competitivo, realizado por todo mercado, relacionado com os processos e gestão de empresas concorrentes; genérico, em que se trabalha com conjunto de indicadores e consiste na comparação de parâmetros da funcionalidade das empresas; funcional, que é uma comparação entre determinadas funções para avaliar boas práticas de determinada função ou processo; e interno, em que entidades tomam como referência as práticas e processos de outros setores dentro de sua própria organização ou de outras unidades de uma mesma entidade mantenedora.

Na avaliação do presidente da FESFBA, o setor de saúde filantrópico enfrenta inúmeros desafios e vive diariamente a dificuldade de sobreviver e garantir a sustentabilidade do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo Pereira, o sistema é perverso, pois “desde a sua criação, ignora o artigo 26 e paragrafo 2º da Lei que o criou, que diz que terá que ser assegurado equilíbrio econômico e financeiro desse serviço”. Para ele, nesses 27 anos de existência do SUS, os reajustes pontuais lineares de tabela giraram em torno de 93%. A inflação oficial, neste mesmo período, foi de 413%.

Para melhorar esse cenário de dificuldade, os hospitais filantrópicos da Bahia, por exemplo, começaram a se movimentar para referenciar áreas que sejam complementares entre si, e não concorrentes. “Hospital A, percebendo referência e eficácia de hospital B, começa a se referenciar numa outra área. Isso tem dado certo na Bahia. Diminui elementos de competição entre si e um contribui com o outro. Ao diminuir a competição, temos aumentado a contribuição. Aí passamos a não ter preocupação com benchmarking competitivo, mas outros tipos”, explicou.

Com base neste projeto que tem dado certo, a Federação da Bahia montou uma metodologia para que as entidades pudessem inscrever cases de sucesso em categorias definidas. Depois de inscrita, a instituição passa por uma pré-seleção com base em um regulamento interno que define critérios. Passando pela seleção, os hospitais chegavam à etapa de apresentação e, por fim, a premiação. “O nível de satisfação dos que participaram foi altíssimo. Não estimulamos o espírito de competição, mas, sim, de solidariedade, um ajudando o outro. Podemos trabalhar muito isso”, sugeriu.

Em nível de Brasil, Pereira destacou a iniciativa da Confederação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos (CMB) adotada recentemente, que formou um grupo de trabalho (GT) durante uma das reuniões das 50 maiores santas casas do país. Deste GT surgiu a ideia de criar um observatório. Até o momento foram definidos 85 indicadores, feitos estudos e também cotações para a criação a uma plataforma digital. De acordo com o vice-presidente da CMB, a proposta tem por objetivo promover o intercâmbio de ideias, ações e estratégias exitosas entre os filantrópicos; estimular a união, a solidariedade e o fortalecimento do setor, com sua heterogeneidade em tantos aspectos; proporcionar e complementar a visibilidade, valorização e reconhecimento das boas práticas e a formação de juízo de valor e imagem a atores envolvidos com o setor. “Queremos ter o perfil da realidade dos filantrópicos”, garantiu.

Citando exemplos no mundo, o palestrante falou sobre o Sistema Nacional de Saúde de Portugal, que equivale ao SUS e está muito à frente do Brasil. Segundo ele, Portugal entendeu que sairia da crise investindo no setor das Misericórdias, já que um paciente que custava € 4.000 por mês custaria € 1.000/mês se fosse feito em uma santa casa de misericórdia.

“Não é diferente do Brasil, pois qualquer serviço que prestamos aqui é em torno de quatro vezes mais barato do que o mesmo serviço no sistema público. Eles, então, pagaram € 200 a mais para incentivar manutenção, qualificação, entre outros. Dessa forma, o país ampliou 100% da oferta e foi capaz de investir em outras linhas, como prevenção, construção ou reforma de hospitais ou, apenas, em economicidade para fugir da crise. Foi dessa forma que Portugal avançou e transformou o sistema das misericórdias em uma grande propaganda do sistema de saúde, com qualidade admirável. Enquanto isso, nós, aqui no Brasil, continuamos fazendo mágica para manter as portas abertas”, avaliou.

Com base nas informações apresentadas, Pereira afirmou que os hospitais brasileiros precisam se preparar para a inversão da pirâmide cronológica, já que as perspectivas mostram que entre 2025 e 2030, o país terá predominância de pessoas acima de 65 anos, um fato novo que, segundo ele, vai exigir mudança de fluxos, de processos, de processo e de paradigmas.

“Temos que trabalhar em cima disso e o benchmarking é fundamental, porque existem países europeus que já vivem essa pirâmide invertida. Eles estão abertos para que possamos fazer esse benchmarking, seja estudando os casos, enviando pessoas para entender como é feito. Precisamos ganhar tempo conhecendo e aprendendo as boas práticas com quem já esta à nossa frente”, completou.

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